M.M, outro integrante do RS Socioeducativo, conta que, além da valorização ao estudo, também aprendeu que a família é a base para construir o futuro. "Nesse período percebi que não posso viver sem minha família," sintetiza o adolescente, de 17 anos. Para ele, esta é a maior lição de vida que aprendeu após cumprir medida socioedudacativa. Hoje, participa da oficina de informática, faz estágio e é aluno da sétima série do ensino fundamental.
O atendimento ao egresso é uma ação concreta para tratar a problemática social dos jovens egressos da Fase. O Secretário Schuler destaca a iniciativa inédita do governo do Estado e os resultados obtidos. "A iniciativa contribuiu para redução do número de internas da Fase, que em março de 2009 tinha 1.148 internos e hoje tem cerca de 870, e a reincidência caiu para menos de 10%".
Os familiares percebem a melhora no comportamento dos meninos a partir do ingresso no programa. "O M.M está mais responsável, saiu da rua e só quer saber de estudar. Além de, no final de semana, ficar mais tempo com a família", relata o irmão do adolescente, Jonatas Martins. Já Irene Maria de Freitas, mãe de A.B, vê a oportunidade como uma boa forma de preencher o tempo. "Enquanto ele está na aula, não está na rua envolvido com más companhias."
Guilherme Mendes, professor de informática da Fundação Pão dos Pobres de Santo Antônio, uma das entidades que realiza o atendimento ao egresso, vê a obrigatoriedade de estar estudando como ponto positivo do programa, servindo como um incentivo aos adolescentes para permanecerem estudando. "O baixo índice de escolaridade é um desfio a ser enfrentado também pelos professores, que precisam adaptar suas aulas de acordo com o nível de compreensão dos alunos." O professor ainda relata que, apesar de serem bastante diferentes entre si, os alunos chegam à oficina com grandes expectativas de aprendizado e de saírem mais preparados para o mercado de trabalho.
A iniciativa da SJDS é executada por meio de organizações da sociedade civil, como o Pão dos Pobres e Instituto Calábria (Porto Alegre), Instituto Leão XIII (Passo Fundo), Asbem (Novo Hamburgo), Centro Social Marista (Santa Maria) e Instituto Leonardo Murialdo (Caxias do Sul). Em 2010, foram investidos R$ 6 milhões no Programa.
Entenda o RS Socioeducativo
O Programa tem como objetivo diminuir a reincidência de jovens que cometem atos infracionais, reduzindo os índices de violência, com ações em quatro eixos: cofinanciamento da execução das medidas de meio aberto, isto é, as medidas de liberdade assistida e prestação de serviços à comunidade, cuja execução é de responsabilidade dos municípios, instalação de oito novas unidades de semiliberdade, além das três já existentes, atendimento ao egresso da Fase, para profissionalizar e encaminhar para o mercado de trabalho os jovens que saem das unidades de internação da Fundação, e descentralização da unidade Padre Cacique.
Reportagem extraída do site da Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social do Rio Grande do Sul
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